14/08/2013 às 11:59 - Atualizado em 18/02/2016 às 20:59

Combustíveis puxam vendas no comércio; inflação prejudica supermercados

LUCAS VETTORAZZO
DO RIO 

O setor de combustíveis e lubrificantes foi o principal responsável pelo desempenho das vendas do comércio varejista em junho, que subiram 0,5% em relação a maio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em junho, o os combustíveis tiveram aumento de 0,9% nas vendas frente a maio. A comparação mensal é livre de influências sazonais. A alta é ainda maior na comparação anual com junho do ano passado, que foi de 8,2%.

Os números fazem parte da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgados nesta quarta-feira (14) pelo instituto.

O desempenho coloca combustíveis no topo das vendas do comércio varejista no mês, desbancando, inclusive, o resultado dos hipermercados e supermercados que historicamente são os principais motores do comércio, mas que em junho tiveram mau desempenho.

O segmento teve a maior participação na chamada taxa global de varejo, que faz uma média das receitas dos dez segmentos pesquisados pelo instituto e calcula seu peso no índice.

De acordo com a técnica do IBGE Aleciana Gusmão, dois motivos levaram à alta nas vendas dos combustíveis. O primeiro é o fato de o preço do produto ter subido a um ritmo menor que o da inflação. A técnica do instituto lembrou que enquanto a inflação geral está em 6,7%, os combustíveis têm subido de preço a uma taxa de 3,5%.

O segundo motivo é o aumento da frota de veículos no país, decorrente principalmente da extensão do benefício do IPI (Iposto sobre Produtos Industriais) até dezembro pelo Governo Federal. Essa questão pode ser observada também na venda de veículos e partes, que cresceu 0,9% em junho frente a maio, de acordo com a PMC.

"Os combustíveis têm aumentado de preço a um ritmo menor que a inflação. Eles são beneficiados beneficiados também por ter um preço administrado", disse.

HIPERMERCADOS

Tradicionalmente tido como o carro-chefe das vendas do varejo, o desempenho dos hipermercados, supermercados e lojas de produtos alimentícios e bebidas em geral não foi bom em junho. Foi verificada queda de 0,4% de maio para junho. Na comparação anual, de junho deste ano frente a igual mês de 2012, a queda nas vendas foi de 0,8%.

Segundo a técnica do IBGE, o desempenho foi basicamente impactado pelo preço dos alimentos, que têm registrado altas taxas de crescimento desde o ano passado. A inflação da chamada alimentação em domicílio tem levado os consumidores a comprarem menos alimentos no supermercados e também substituído produtos mais caros por opções mais em conta, disse.

Segundo avaliou Aleciana, a pesquisa mostra que a mudança no patamar de consumo foi incorporada pelos consumidores apenas em 2013, mesmo que as altas dos alimentos venham sendo observadas desde 2012.

Aleciana lembrou que em junho, segundo o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), a alimentação em domicílio teve variação positiva no acumulado dos últimos 12 meses de 13,6%.

"Já estamos começando a ver o impacto da alta da alimentação em domicílio na atividade hipermercado da pesquisa. Desde o ano passado, os preços vêm aumentando, mas só agora os consumidores estão reduzindo seu consumo em função disso", disse.

COMÉRCIO EM GERAL

Ainda que tenha registrado altas mensais em janeiro, abril, maio e junho, o desempenho das vendas do comércio varejista neste ano tem sido menor que o verificado no ano passado. O motivo para isso, explicou Aleciana, envolve uma série de fatores que deixou a base de comparação mais alta em 2012.

Questões como a renda do trabalhador brasileiro, que cresce em ritmo menos acelerado este ano, o crédito, que está menos disponível que em 2012, e a inflação, que tem batido no teto da meta de 6,5%, justificam o desempenho inferior. O IBGE não apurou o impacto das manifestações populares pelas ruas das principais capitais do país, iniciadas no início de junho.

"Em 2012 nós percebíamos na PME (Pesquisa Mensal de Emprego) que a renda subia a taxas bem maiores que a gente percebe esse ano. Sobre crédito, ele também está um pouco menos disponível. Se antes algumas lojas não pediam entrada, por exemplo, agora elas já exigem. Enquanto os bancos eram antes mais tranquilos na concessão de crédito, agora eles têm uma série de pré-requisitos. A esses fatores soma-se a alta dos preços", disse.

FONTE: Folha de São Paulo

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